365 dias depois…

No dia 25 de Setembro fez um ano que eu troquei o calor do Brasil pelo suposto frio da Inglaterra.

Digo de antemão pro galerê que quer fazer aloka e largar o Brasil de mão que a vida não é um programa do GNT.

Quando eu tomei a decisão de vir morar na Inglaterra, eu levei em consideração uma série de coisas. Ao contrário do que muita gente pensa, não foi algo decidido do dia pra noite. E também ao contrário do que muita gente pensa, não foi e não está sendo nada fácil.

E eu nem me refiro ao clima ou temperatura pois a gente acaba se adaptando a essas coisas. Passa a sentir calor quando está 20 graus e passa a olhar pro lado contrário quando vai atravessar a rua. Eu me refiro ao fato de que vida de imigrante passa muito longe do conto de fadas descrito por muitos.

Quando você sai do seu país e vai pro país dos outros, você vai ser sempre diferente. E olha que aqui na Inglaterra tem MUITO imigrante. As pessoas não são rudes ou te tratam de forma diferente. É um sentimento que simplesmente existe dentro de você. Você tá ali, participando do dia a dia como qualquer um, mas você sabe que de fato e de direito você não pertence. Acho que esse é o grande lance. O sentimento de não pertencer. Quando eu tô em casa com a Lea ou quando estamos rodeados dos nossos amigos, esse sentimento não chama tanta atenção porque eu estou rodeada de pessoas que me amam e não se importam se eu nasci na Inglaterra ou no Brasil ou em Madagascar. Ao menos pra mim, o idioma não é uma barreira mas eu fico me perguntando como fazem as pessoas que mudam de país sem ter domínio da língua falada lá.

De qualquer forma, tudo é diferente. A começar pelo processo de visto. Logicamente, como tudo no mundo, se você é rico, nada é percalço. Bom, eu não sou rica, e por conta disso, meu processo de visto que deveria ter durado alguns meses, durou esse ano inteiro. Meu primeiro visto, o de noiva, foi expedido sem problemas, quando eu ainda estava no Brasil. Ao chegar aqui, comecei a ver que problemas com burocracias, ou melhor, burrocracias, existem em qualquer canto do mundo. Tinhamos que marcar a data da nossa união civil para poder dar entrada na modificação do visto. Aqui na Inglaterra, você não pode simplesmente entrar num cartório e assinar um papel. Existe algo chamado “give notice”. Se trata de um “aviso formal” da união estável de um casal. Esse aviso sendo dado, o casal pode dar segmento e marcar a data da cerimônia após 15 dias. Mas como eu sou estrangeira, levei o primeiro tapa. Esse “give notice” só podia ser feito numa outra cidade. Tive que pegar trem e etc só pra poder marcar a data da minha união civil. E lá, a pessoa responsável fez um “tira-teima” pra “ter certeza se nosso relacionamento era genuino.” Aqui tem tanto imigrante ilegal que o governo simplesmente trata todo mundo como safado. Como se todo e qualquer imigrante quisesse apenas mamar nas tetas do governo. E diga-se de passagem, quem mais mama nas tetas do governo aqui é o próprio povo Britânico. Pouco tempo depois, descubro que precisaria ir em Londres para -wait for it- tirar foto e deixar impressões digitais. E lá vai barão. Vale lembrar que, com o visto de noiva, eu não tenho autorização para trabalhar e, portanto, Lea esta sustentando nós duas e o cachorro.

A coisa piorou quando, depois de tudo certo e resolvido, o meu visto foi negado. Mais rios de dinheiro gastos com advogados. E o pior é que o visto foi negado por causa de um erro do governo. Mais uma vez, somos mandados para longe. A audiência que determinaria se eu poderia ou não ficar foi marcada em Gales. Sim, outro país. Aliás, isso é algo que com o tempo, acostuma-se. O fato da Grã-Bretanha ser um país formado por QUATRO países.

No final deu tudo certo, o governo reconheceu o erro e meu visto foi expedido. E não, não tive um centavo de volta. A impressão que dá é que eles fazem de tudo pro imigrante simplesmente desistir de adquirir o visto. Veja bem, o processo é até bem simples, mas requer muito cuidado de atenção. É nessa que muita gente confunde zas com tras e acaba tendo o visto negado. E nesse ponto, muita gente simplesmente desiste. Eu não desisti porque a razão pela qual eu decidi vir pra cá era forte demais. E ainda é.

Eu creio que no que se refere aos tramites de imigração, o pior já passou. Agora é continuar se adaptando a essa vida de imigrante.

É tudo muito doido. Ficar bêbado e ter que se lembrar que você tem que falar em outro idioma.   Parece bobagem mas é difícil.

A coisa facilita um pouco quando você desmitifica o bom e velho “ah, eu moro na Europa” e percebe que aqui todo mundo é gente como a gente. Todo mundo acorda cedo pra ir trabalhar, vai pro boteco no final de semana, pega o cocô do próprio cachorro, paga contas, fica gripado, ri e chora igualzinho todo mundo que você conhece no Brasil. Pelo menos pra mim, a grande diferença (e o que, até o momento, me faz preferir a vida aqui) está no estilo de vida e na educação das pessoas. E principalmente na ausência do grotesco abismo social que existe no Brasil. Lógico que aqui tem rico e tem pobre como em qualquer lugar do mundo, mas a coisa e menos escandalosa. Aqui cada um bota gasolina no próprio carro. Não tem frentista. Aqui cada um limpa sua própria casa. Não tem empregada doméstica (a não ser que você seja milionário e more numa mansão). Não existe a cultura do sub-emprego. E isso é algo que se criou centenas de anos atrás. Essas diferenças vêm da nossa colonização. Mas fora isso, é a mesma coisa. Tem até “bolsa família” e “seguro desemprego”.

Mas isso nem é a pior parte de ser imigrante. Eu diria que a pior parte é a pseudo solidão na qual você vive. Pelo menos nos primeiros anos. É se dar conta que se você tiver passando mal, não vai poder ligar pra sua mãe pra pedir ajuda. Se tiver de coração partido, não vai poder encher a cara com os SEUS amigos, vai ficar muito tempo sem falar e sem ouvir o seu próprio idioma, de forma que quando precisar dele, vai se enrolar pra pensar e falar. Você perde a noção de identidade, perde um pouquinho de você mesmo.

Eu acredito que, com o passar dos anos, essa pseudo solidão se acalma. Lógico que você vai sempre sentir falta dos seus amigos e família no seu país, mas você constrói uma vida, conhece pessoas, arranja empregos, vai à lugares, passa a fazer parte da comunidade, e isso tudo acaba por fazer com que você reconstrua esse pedacinho de si mesmo perdido no processo de imigração e adaptação.

E mais do que saber que isso se acalma com o tempo é o simples fato de, como sabiamente me disse meu primo Pedro, “my loneliness is NOT killing me”. É saber que essa pseudo solidão existe mas não faz com que eu perca as estribeiras, e principalmente, saber que eu tenho a companhia de mim mesma, meus pensamentos, minhas lembranças, e que estar só muitas vezes pode ser uma coisa boa.

Por esses e outros motivos, eu chego a conclusão que se você pensa em sair do seu país, do lugar onde você nasceu e largar tudo que você conhece, tudo que te formou e te fez o que você é, tenha certeza de que o motivo é mais do que legítimo.  Eu tive sorte pois estou me adaptando perfeitamente bem à vida nesse país. Conheço um tanto de gente que jamais se adaptou e decidiu voltar pra casa. E eu entendo perfeitamente. Não é fácil mesmo não. A saudade bate, e bate forte, até das coisas que você não gosta, das coisas para as quais você não ligava tanto, e das pessoas que você achava que tinha esquecido.

Eu sei que um ano não é tanto tempo assim, mas já faz uma mega diferença. Eu jamais voltarei a ser a pessoa que eu era em 24 de setembro de 2012. Agora é seguir em frente, continuar construindo minha vida e minha família nesse país que eu escolhi pra viver. Eu amo o Brasil, com todas as suas imperfeições e jamais encontrei uma cidade mais bela do que o meu Rio de Janeiro (inclusive, nomeamos nosso cachorro em homenagem. A ideia foi da Lea que foi ao Rio e se impressionou com tamanha beleza!). Em breve eu volto pra poder beijar e abraçar minha mãe e meu pai e meu irmão, tomar porre com os meus amigos e sentar no aterro de frente pro Pão de Açúcar. Mas de férias, com data marcada pra voltar, porque mesmo com todas as incertezas e dificuldades e sentimentos confusos, aqui eu tenho minha casa, minha família e todas as razões que eu preciso para não querer jamais olhar pra trás.

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Brasil, que vergonha!

Não vou dar bom dia porque falo logo que o dia no tá nada bom.

Acordar com uma notícia dessas é de deixar qualquer um P da vida:

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Em primeiro lugar, quero ressaltar que, o fato de eu não morar mais no Brasil, não significa que eu deixei de me informar e principalmente me preocupar (e me enojar) com o que acontece no meu país.

Pois bem, esse infeliz que foi escolhido como presidente da Comissão de Direitos Humanos do Brasil tinha que estar na cadeia.

Racista, homofóbico, oportunista e safado são os adjetivos mais simples que podem ser dados a este senhor.

Em 2011, através da sua conta no Twitter, esse pulha disse que os africanos são um povo amaldiçoado, dizendo inclusive que essa maldição é o que causa doenças como AIDIS e Ebola.

Alem disso, ainda no Twitter, disse que “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime e à rejeição”. Ou seja, SENTIMENTOS levam ao ódio, ao crime a a rejeição.

Ser um completo imbecil não leva a nada disso. Imagina…

Como deputado pelo PSC (Partido Social Cristão), ele usou a Câmara para tentar divulgar “tratamentos para a cura gay”.

Não faz o menor sentido que uma pessoa que prega o ódio e a intolerância, seja responsável por um cargo tão importante. Me digam, como será possível que esse senhor traga qualquer avanço no que diz respeito a direitos humanos para no Brasil, quando sua propria existência é um exemplo de retrocesso nesse sentido?

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Esse tipo de coisa muito me entristece. Esse cara e Bolsonaros da vida e Sarneys e etc, todos lá em cima, cheios de poder pra fazer o que bem entenderem com o Brasil me deixa muito enojada. E não adianta fazer abaixo assinado e campanha e passeata nem nada disso. Eles não estão nem ai, não ligam a mínima para o que o povo acha ou o que o povo quer.

Uma simples chuva de verão, que acontece TODO ANO NA MESMA ÉPOCA matou 4 pessoas e parou a cidade do Rio de Janeiro. E daqui a 4 anos os mesmos ativistas de Facebook que estão reclamando, vão pras urnas votar no Eduardo Paes de novo. Não entra na minha cabeça, um pais se preparando para 4 eventos gigantescos, apresentando esse tipo de notícia na mídia todos os dias. Pessoas morrendo por causa de enchente a gente vê no interior da Indonésia, pais sem a menor estrutura de porcaria nenhuma, não na cidade sede das próximas Olimpíadas e Para olimpíadas de verão. E principalmente, não por causa de um problema que já é conhecido e tem data e hora pra chegar todos os anos.

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De qualquer forma, esse post foi mais um desabafo mesmo. To triste, to com vergonha e sem saber explicar pra quem me pergunta, como é que a cidade olímpica para completamente por causa de um fenômeno que acontece todo ano e por que, no Brasil, um racista e homofóbico é responsável por direitos humanos, coisa que ele nem sabe de fato o que é.

Não vou nem puxar o assunto do Sarney ser presidente do Senado porque, né?

Boa sorte, Brasil.

Paul McCartney – Up and Coming Tour – O dia que minha vida mudou.

Como se faz para entender o que acontece na cabeça de alguém que tem como maiores companheiras as palavras e de repente, ao olhar pros lados, se dar conta que elas não estão ali? Se dar conta que não é que as palavras tenham deixado esse alguém de lado, mas que elas não existem. Procurar em outro idioma? Eu tentei, conheço alguns mas foi em vão. O vazio que as palavras deixaram continua ali. E o mais impressionante é que esse vazio é gostoso, porque ele existe devido a algo novo que surgiu, e que não foi nomeado. Felicidade? Nirvana? Não sei. Sei que na noite de 21/11/2010 minha vida foi transformada de uma maneira que nem eu, nem nenhum dos meus 64 mil companheiros esperavam.

A sensação de ver que a longa espera terminou, que o sol torrando nossos corpos não tem a menor importância. Sensação que eu ainda estou procurando palavras pra descrever. O medo de voar até a realização desse sonho foi superado. Fingir que está tudo bem no dia anterior, sair com os amigos, ir ao cinema. Se dar conta que tudo aquilo só serviu pra maquiar o monstro da ansiedade que estava dentro de nós. Fazer tudo, sem prestar atenção em nada. Ver que tudo valeu a pena, cada segundo, na hora que, ao entrar naquele gigante do futebol, notar que ele é pequeno, ele não é nada diante do verdadeiro gigante que estava no palco. E é aí que eu comecei a notar como a minha vida ia mudar. Exagero? Muitos vão dizer que sim, mas eu não me importo. Paul McCartney fez sim minha vida se transformar. Fez com que meu senso crítico e artístico mudasse completamente, e com que tudo aquilo que eu considero “bom” ou “ótimo” desça alguns níveis. Ele estava lá. Entrou no palco, acenou para o público. Era ele. Ele mesmo. Ele que compôs a trilha sonora de incontáveis momentos da minha vida, ele que canta a música que eu canto junto com meus amigos mais queridos, que está dentro da minha casa desde antes mesmo de eu aprender a falar ou andar ou ter a menor noção de quem ele é. Foi aí que eu vi que era um caminho sem volta, e que essa noite seria uma noite que eu não saberia explicar jamais.

Ele entrou trazendo os Wings de volta, fazendo os queixos caírem, e as pernas saírem do chão, mas foi nos primeiros acordes de All My Loving que eu me dei conta do que é que estava acontecendo ali. E aí vieram as lágrimas. Que se agarraram em mim e mão me largaram em quase momento nenhum. Eram os Beatles no palco. Ou pelo menos ou mais próximo deles que qualquer um pode chegar. Um olhar breve ao redor faz com que tudo fique mais bonito, pois pude ver que esse legado se mantém com as mães e pais que estavam com seus filhos muito jovens pra entender o que realmente se passava ali, mas que mesmo assim vibravam com cada acorde e entoavam cada palavra em uníssono com a lenda.

Paul McCartney

Paul McCartney

Seus 68 anos passam despercebidos, e muitas vezes eu sacudo a minha cabeça pra voltar para o ano de 2010, pois eu vejo em cima do palco por vezes a franjinha, por vezes o bigode. Ele tem a energia que eu imagino que tivesse naquela época ou talvez até mais. Foram 18 anos afastado do Brasil e uma recepção tão calorosa que me faz achar que aquilo tudo não era ensaiado não. Ele estava SIM muito feliz e muito surpreso com todas aquelas pessoas cantando junto e se emocionando junto. O choro volta quando ele senta no piano e sem dó lança The Long And Winding Road. E quando eu achei que minhas lágrimas tinham se esgotado, o velho Macca dá o primeiro golpe baixo, trazendo para o palco “sua gatinha” Linda através de My Love. Poxa seu Paul.. Logo a Linda? Isso não se faz. É difícil respirar quando a gente chora forte demais, mas nesse ponto ninguém se importava mais. O estrago já estava feito. And I Love Her e Blackbird se certificaram que as lágrimas se manteriam ali, mas quando os primeiros acordes de Here Today começaram, temi não aguentar até o fim. É difícil conter um sentimento 100% desconhecido. E Here Today doeu. Doeu de uma forma que ia da ponta do dedo até o último fio de cabelo. Doeu como se John estivesse lá, batendo palmas pro seu amigo e dizendo “isso aí cara… é isso aí…,” e na boa… Ele estava. Eu me sento. Preciso respirar, não estava preparada para aquilo, não mesmo. Mas ele não dá trégua. Me faz rir e dançar com Dance Tonight, me faz amar Mrs Vanderbilt e acaba comigo de novo em Eleanor Rigby. Mais lágrimas, e a banda some. Só ele no palco. Ele vai cantar pro amigo George agora. Mas está tudo bem. É Something. Mais lágrimas, e o golpe de misericórdia. George está no estádio também. No telão, quando a banda ressurge, fotos ilustram o que todos sentem, não há mais chão, não há mais nada. Por que Paul? Isso é maldade. Hora de secar as lágrimas e cantar Band On The Run e pular loucamente com Ob-la-di, ob-la-da, enlouquecer com Back in the U.S.S.R. e I’ve Got a Feeling. Confesso que chorei em Paperback Writer, mas só um pouquinho. Me trouxe pra Copacabana, pras rodadas de Beatles Rock Band com aqueles que eu amo demais… Não tinha como não lacrimejar. Mas a hora era de pular.

Paul McCartney

Paul McCartney

Eu me pergunto se o velho Macca ficou mesmo tão emocionado com a chuva de balões brancos que tomou conta do Morumbi em Give Peace a Chance. De onde eu estava, eu via a coisa mais linda, todo mundo brincando igual, dançando igual. Quanto tempo já passou? Duas horas? Mentira! Eu posso jurar que foram só quinze minutos. Não diz pra mim que já tá acabando. Eu quero mais. Muito mais, quero Paul falando mais em português e brincando, correndo e pulando. Ele não sabe se quer fazer a galera pular ou chorar. Ele mistura Let It Be com Live And Let Die. Ele solta fogo e fumaça e fogos de artifício, como se fosse no 31 de dezembro, o céu ficou estrelado e brilhante e tudo ficava cada vez mais inacreditável, mais inesquecível. E os isqueiros? Quem podia imaginar que teriam tantos isqueiros bailando em Hey Jude?? Quem se importa que o “nanana” durou muito mais do que duraria? Se dependesse de mim eu estaria fazendo “nanana” até agora. E é nesse momento que eu vejo que é verdade, está acabando. Ele sai do palco. Dá tchau. Eu vejo alguns indo embora achando que era mesmo o fim. Mas não pode ser. E não é. Ele volta com a bandeira do Brasil nas mãos. Eu sei que é ensaiado, mas não me importo. Pra mim é de verdade e ele tá alí pra terminar o show dos Beatles. Get back to where you once belonged, já diz a música que foi cantada em coro pela platéia que não se cansa.

Paul McCartney

Paul McCartney

“Vocês não estão cansados? Não querem ir dormir?” ele questiona após mais uma falsa despedida que fez com que tantas outras pessoas deixassem o estádio prematuramente. Mas não, eu não quero ir embora. Não quero ir nunca, quero congelar essas horas e ficar brincando de rewind e play por toda eternidade. E como queremos ficar ele também fica. Mas ele está cansado, toca Yesterday que é calminha. Cansado?? Ele quer rock and roll. É hora de Helter Skelter. Mas todo sonho tem que terminar, não é mesmo? Até o Sgt Pepper tem que ir embora. É o fim, The End, mais lágrimas. Muitas lágrimas. The love you take is equal to the love you make. E sim, amor foi o que aconteceu. Havia amor lá. Transbordando pelo anel  do estádio. Mas o fim, o indesejável fim chegou até mim. E sem conseguir falar, me dirijo pra fora de lá sem entender direito o que tinha acontecido, não penso. Ando. Vou em frente, até o ponto de encontro, mas não vejo nada, nem ninguém. Estamos todos juntos agora. Eu volto a chorar. Onde estão as palavras? Bate um desespero, eu não consigo explicar o que sinto. Nem eu, nem ninguém. Estou envolta por aqueles que eu amo e todos estão igual a mim. Uns mais, outros menos, mas todos sabem que tudo mudou. Tudo se ampliou. Agora eu amo mais o Paul, agora eu amo mais os Beatles, agora eu amo mais os meus amigos. Toda a dificuldade pra voltar pra casa não é nada. Fome, cansaço, ou melhor, exaustão. Tudo isso é pequeno perto do que vivemos. A lua foi nossa maior testemunha, numa noite que seria fria e chuvosa mas que foi perfeita do início ao fim. Aliás não só ‘foi’ perfeita. Ainda está sendo e vai continuar sendo por muito tempo, pois cada vez que eu fecho os olhos, eu volto pra lá e vivo tudo de novo.

Obrigada Paul, obrigada amigos, por mudarem minha vida. Pra melhor.